Late Harvest: você sabe o que é?

Late Harvest: você sabe o que é?

Você estava no restaurante vendo a carta de vinhos e ouviu o cliente da mesa ao lado pedir ao garçom um ‘Late Harvest’. Tentou puxar da memória o seu significado, procurou no cardápio, perguntou à companhia que estava com você, mas nada. Então decidiu traduzir ao pé da letra mesmo para ver se existia algum sentido.‘Colheita tardia?’. Sim, ‘colheita tardia’. Afinal, o que significa?

A princípio pode não parecer muita coisa, mas saiba que há sim um sentido por trás desta expressão que levou o garçom a servir um rótulo branco geladíssimo numa taça minúscula.

‘Late Harvest’ é um termo utilizado para descrever aquelas uvas que ficaram nas vinhas algumas semanas depois da data ideal de colheita, aquelas que estão ‘supermaturadas’. São, basicamente, aquelas que ‘passaram do tempo’. Mas calma, não se precipite ao achar que isso é um ponto negativo porque os bagos estão estragados. Muito pelo contrário…

Se você achou que se tratava de um processo fácil, já que aparentemente é preciso apenas deixar que as castas fiquem ‘podres’, você está enganado. Este tempo extra de amadurecimento deve ser realizado por aqueles produtores que realmente entendam do assunto, já que há alguns riscos externos de prejuízo, como podridão, chuvas e pássaros. Para simplificar, vamos explicar assim: o retardo na colheita resulta na desidratação natural dos frutos e, consequentemente, na alta concentração de açúcar.

Vinhos deste tipo, que também são conhecidos como ‘vinhos de sobremesa’, são, em sua maioria, doces (sem serem enjoativos, graças à sua marcante acidez), bastante elegantes e ricos em sabores com notas de mel. A harmonização, por causa da boa acidez e do bom corpo, pode ser feita com uma diversidade de pratos, como sobremesas, queijos azuis e foie gras – o famigerado e controverso ‘fígado gordo’ de pato ou ganso.

Existem alguns métodos para se elaborar um rótulo de colheita tardia, mas talvez o mais conhecido seja o da ‘podridão nobre’. Nele, o fungo Botrytis cinerea, que se desenvolve em alguns climas quentes e úmidos no final da maturação da cepa, acomete o bago ao furar a casca da uva e permitir a sua desidratação. Uma curiosidade aqui é que essa ‘praga’, que aparece com frequência em regiões vinícolas como Bordeaux (nos vinhos Sauternes) e como a húngara Tokaj (nos botritizados Tokajis), não aparece regularmente em outros territórios do mundo.

Embora a maioria seja vinificada a partir de uvas Riesling, os late harvests também podem ser originados a partir de Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, Sémillon e Zinfandel. Pedindo sempre para serem apreciados em uma taça de cálice largo embaixo – para oxigenar os sabores –, e estreita em cima – para mantê-los vivos –, eles devem ser servidos a uma temperatura de 7°C.

Intensamente doces, os ‘colheita tardia’ são encantadoramente agradáveis. Experimente!

Fonte: http://blog.evino.com.br/