Ser colono: conheça um pouco da história

Durante o mês de julho em duas datas se comemora o dia do profissional que trabalha na agricultura.

No dia 25 é comemorado o dia do colo e dia o trabalhador rural, no dia 28 é comemorado o dia do agricultor.

A data de 25 de Julho foi instituída como Dia do Colono em 1968, com a criação da Lei Federal 5.496 em 5 de Setembro daquele ano. Essa data já era conhecida ha um bom tempo, pois desde 1924, quando estava ocorrendo às comemorações do centenário da vinda dos alemães para o Rio Grande do Sul, a data foi reconhecida e usada para celebrar os colonos, principalmente os alemães.

Em 18 de Julho de 1824, os imigrantes alemães vieram para se instalar no Brasil e desembarcaram em Porto Alegre, sendo recebidos muito bem pelos governantes da época. Logo após, em 25 de Julho, realizaram o que seria o primeiro culto evangélico do Estado, tornando a data como um marco para região, ampliando a cultura religiosa, antes regida apenas pelo Catolicismo e religiões indígenas.

Promessas do Brasil para os colonos

Com o objetivo de atrair novos imigrantes o governo brasileiro investiu em propagandas na época, principalmente nas regiões da Europa que ainda não estavam estabilizadas social e economicamente. Em países como Alemanha e Itália, que estavam sofrendo profundas transformações, a emigração parecia uma excelente alternativa para os que estavam enfrentando dificuldades para sobreviver em seu próprio país.

O Brasil prometia pagar a viagem de vinda ao Brasil, além da cidadania e dar um pedaço de terra as famílias que aceitassem vir para se instalar no país. Assim o país conseguiu atrair muitos estrangeiros, que ao chegar aqui percebiam que a promessa não era bem como estava na propaganda, pois aqui enfrentariam problemas similares aos que a Europa passava, como falta de infraestrutura e apoio para desenvolver seus negócios, principalmente de agricultura e pecuária.

Ainda assim, muitos dos que aceitaram conseguiram se estabelecer e transformar a terra, que antes não era produtiva, tornando as regiões do Sul e Sudeste as mais desenvolvidas do país em termos de agricultura e também cultura, contribuição que é percebida até hoje na nossa economia, assim como na diversidade.

Agricultura familiar

Principal responsável pela comida que chega às mesas das famílias brasileiras, a agricultura familiar responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos e por 90% das propriedades agrícolas em todo o País.

Considera-se agricultura familiar o cultivo da terra realizado por pequenos proprietários rurais, tendo, como mão de obra, essencialmente, o núcleo familiar, em contraste com a agricultura patronal – que utiliza trabalhadores contratados, fixos ou temporários, em propriedades médias ou grandes.

Antigamente o cuidado da terra e o cultivo de alimentos era uma herança passada de pai para filho. Na verdade muitos eram obrigados a ficar na agricultura para ajudar a família sem ter outra perspectiva de vida.

Hoje a situação é inversa. Muitos jovens preferem ficar no interior percebendo grandes oportunidades em trabalhar na agricultura.

É o caso de Evandro e Juliane Serafini. Eles são casados a quase um ano e decidiram trabalhar na agricultura.

“Desde pequenos, tanto eu como o Evandro fomos ensinados pelos nossos pais essa profissão. Dai quando começamos a responder pelos próprios atos e andar com as próprias pernas vimos que além de fazermos o que gostamos é uma atividade lucrativa” destaca Juliane.

O presidente da Epagri Luiz Hessmann destaca que a visão do “colono por acaso” tem que mudar.

“Em Santa Catarina nós temos 190 mil estabelecimentos agrícolas, dos quais 93% são de agricultura familiar, sendo menos de 50 hectares. Por muito tempo se levou o conhecimento de agricultura familiar como a agricultura do coitadinho, do pequenininho. Nós da Epagri não concordamos com isso. O agricultor por acaso ele já nasceu, hoje só vai ficar na agricultura quem tiver informação, assistência técnica, competência e quem gostar do que faz. Em Santa Catarina nós temos vários exemplos, eu pude conhecer um professor que abandonou a sala de aula para criar gado leiteiro, ele começou com três vacas. Hoje ele tem 30 vacas, produz uma média de 2.800 à 3 mil litros de leite e vive a vida com apenas 8 hectares de terra. Nós temos que parar de achar que nosso produtor é um coitadinho, a agricultura familiar em Santa Catarina tem muito potencial” destaca.

Outro ponto forte do estado, conforme Luiz Hessmann, é a exploração do Turismo Rural.

Santa Catarina foi o precursor do turismo rural no Brasil, quando no início da década de 1980 os fazendeiros da região de Lages começaram a abrir as portas de suas propriedades para visitação. Hoje, esses locais possuem infraestrutura de lazer completa e muito conforto com atrações para todas as idades.

Mais modestas, as propriedades rurais cadastradas no projeto Acolhida na Colônia também oferecem uma ótima experiência de contato com a vida no campo, onde os alimentos são colhidos na própria horta e preparados em fogão a lenha.

“Nós temos uma vertente muito forte no estado agora que é o Turismo Rural. Não é pra ficar rico, isso é verdade. Nós temos a intenção de começar com o pé no chão, dando passo a passo e buscando alternativas viáveis para a agricultura. O turismo rural não precisa se basear em projetos mirabolantes, milionários. Um exemplo é o Morro Agudo onde tem uma atividade muito forte com parapentes e vôos livres. Solicitamos que seja instalado um aparelho que faz a medição dos ventos para que os amantes de esportes que podem ser praticados no Morro Agudo possam ver através da internet a direção e velocidade dos ventos” diz Hessmann.

A Epagri desenvolve um projeto para capacitar jovens  que trabalham no campo. O programa Ação Jovem Rural tem como objetivo motivar o jovem a permanecer na propriedade dos pais dando continuidade as atividades no meio agrícola. Essa é a proposta do governo do estado que desenvolve através da Epagri e outros parceiros o programa Ação Jovem Rural. Na última semana diversos jovens participaram de mais uma etapa do treinamento. O ato foi realizado no CETREVI, Centro de Treinamento da Epagri de Videira. Durante as aulas eles são capacitados para o uso das novas tecnologias as quais possibilitam inúmeras melhorias no desenvolvimento das tarefas do campo. São jovens de vários municípios da região que participarão de nove encontros.

O curso acontece em todo o estado e a estimativa é finalizar o projeto esse ano, com mais de mil e 500 jovens capacitados. Luiz Hessmann destaca a importância desse projeto.

“Outro projeto interessante que a Epagri desenvolve é Ação Jovem Rural. É fantástico e desafiador. Estamos criando empreendedores rurais, são jovens até 29 anos que vem muitas vezes com as suas esposas e montam um projeto de vida durante oito semanas, uma alternância onde uma semana eles ficam no centro de treinamento e uma semana em suas propriedades. Temos tido exemplos no estado de muitos jovens que tem a opção pessoal de voltar para a agricultura com dignidade ,rentabilidade e conhecimento” diz Hessmann.

No Brasil, uma das primeiras práticas estabelecidas após o início da colonização portuguesa – além do extrativismo vegetal do Pau-Brasil – foi a instalação das chamadas plantations, as monoculturas agrícolas. Inicialmente, o principal produto foi a cana-de-açúcar, mas, com o tempo, outros ciclos agrícolas sucederam-se, com destaque para o café ao longo do século XIX e a soja no século XX. Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de café, cana-de-açúcar e laranja, bem como o segundo maior produtor de soja (atrás apenas dos Estados Unidos), conforme dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Em resumo, a importância da agricultura se dá em diferentes aspectos:

1- produção de alimentos para toda a sociedade;

2- geração de matérias-primas para a posterior industrialização;

3- geração de empregos, embora esses sejam mais diminutos atualmente; d) desenvolvimento da economia, com a geração de riquezas e aumento das exportações.

 

Fonte: http://folhavideira.com/