Saiba mais sobre o pinhão, o símbolo do Paraná

Entre os meses de maio a agosto, com a chegada do frio e as festasjuninas, é tradicional o consumo de pinhão no Paraná. Por isso, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estão orientando a população para a colheita correta e o consumo consciente da semente. De acordo com a portaria 054/2008 do IAP, a colheita do pinhão está permitida desde o dia 15 de abril e segue até o fim da queda do fruto dos pinheiros, próximo ao mês de julho.

“Isso acontece porque antes desse período as sementes das araucárias (pinheiro brasileiro) ainda não estão maduras e também não caíram do pé de forma natural. O pinhão só pode ser recolhido e comercializado se for encontrado dessa forma, no chão, e se não estiver verde”, explica o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues.

O secretário aconselha os consumidores a não comprarem pinhões muito pequenos ou de coloração verde, que representa a retirada antes do período de maturação.

Semente

O pinhão é a semente de uma árvore bem brasileira: a Araucaria angustifolia. Na verdade, o fruto do pinheiro é a pinha, onde encontramos a semente, isto é, o pinhão. A arauária apresenta suas flores com sexos separados em árvores diferentes e suas sementes são produzidas pela árvore do sexo feminino.

Esta semente foi a principal fonte de alimentação de algumas tribos indígenas do sul do Brasil. Muitos animais também se alimentam desta semente, sendo os responsáveis pela plantação dos pinheirais. A cotia, o esquilo (serelepe) e a gralha azul costumam carregar os pinhões a grandes distâncias e enterrá-los no solo. Passado algum tempo as sementes acabam “esquecidas” e geram novas árvores. A relação da gralha azul com o plantio das araucárias fez dela a ave símbolo do Paraná.

No Paraná, as araucárias eram tão abundantes que originaram até o nome da capital do Estado, Curitiba. A palavra “curi” vem do tupi e significa pinheiro, já a palavra “tiba” significa miuto, abundância. Daí o nome Curitiba ou muitos pinheiros.

A espécie não era encontrada apenas em Curitiba e região metropolitana: São José dos Pinhais, Araucária e Pinhais. O Estado do Paraná, no século passado, era coberto por matas de araucárias, numa área total de 80 mil km2. Atualmente esta área esta reduzida a apenas 4% da cobertura original. Hoje a região de maior ocorrência de araucárias é a Centro-Sul e apenas para produção de mudas são utilizados cerca de 8 mil quilos de pinhão.

A araucária apresenta madeira de cor branca, muito resistente e valorizada comercialmente. Devido à qualidade excepcional dessa madeira, a espécie foi largamente explorada por madeireiros. No entanto, devido à proteção ambiental, estas florestas começam a ser novamente formadas. O Paraná foi um dos primeiros Estados a ter lei própria para proteger as florestas de araucárias (Lei n° 11.054, de 14 de janeiro de 1995, disponível em http://www.pr.gov.br/iap).

Proteção e fiscalização

A fiscalização e o controle dessas árvores se tornam cada vez mais importantes devido à escassez de alimentos para a fauna paranaense e do pinheiro dessa espécie.

De acordo com o chefe do escritório regional do IAP de Curitiba, Reginato Bueno, o Batalhão da Polícia Ambiental-Força Verde está autuando e fiscalizando a retirada e o comércio de pinhão no Estado.

“A multa prevista para quem for flagrado colhendo pinhão de forma errada pode chegar a R$ 300,00 por quilo de pinhão apreendido, sendo que o responsável ainda deverá responder a uma ação penal junto ao Ministério Público, cuja pena varia de seis meses a um ano de detenção”.

Apenas nas fiscalizações realizadas pelo Batalhão Ambiental da Força Verde no mês de maio foi apreendido aproximadamente uma tonelada de sementes de pinhão. Estava sendo comercializado ilegalmente próximo à rodovia PR 208, entre os municípios de Clevelândia, Palmas e Pato Branco. Em apenas um final de semana de fiscalização foram abordados 18 pontos com três pessoas que estavam comercializando o pinhão ilegalmente, cada uma delas foram autuadas em R$ 2,4 mil.

Culinária

Apesar de rico em amidos, o que o torna bastante calórico, contém vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e proteínas. A vitamina B1 ou tiamina vem sendo muito estudada pelos especialistas, pois além de atuar na produção de energia, auxilia na oxigenação do cérebro e o funcionamento do sistema nervoso, podendo ajudar nas funções relacionadas com memória e cognição. O pinhão é uma das melhores fontes de tiamina.

A vantagem do pinhão é que pode ser cozido tanto em água como em calor seco como nas fogueiras ou na brasa. A nível artesanal também pode ser feita a farinha de pinhão que pode ser utilizada em bolos, pães, tortas, etc. Em termos de calorias, tem em média 195 calorias para cada 100g (cozido). A sua utilização é variada, podendo ser usado em saladas, ensopados, tortas e bolos.

 

 

Fonte: www.bonde.com.br