Saiba as dez mentiras mais comuns sobre o vinho

A bebida possui “regras” que podem ser dispensáveis ou desnecessárias

O vinho é quase uma bebida de preferência mundial, mas existem muitas ‘lorotas’ que muita gente espalha por aí sobre ele. Com o tempo, foram criados rituais e mitos sobre o vinho que transformaram o momento prazeroso de aproveitar uma taça em um grande mix de regras que, na maioria dos casos, são dispensáveis ou simplesmente desnecessárias. E isso é, em grande parte, o motivo das pessoas se afastarem da bebida por medo de passar vergonha ou por achá-la complicada demais.

Para desmentir todos esses tabus impostos e fazer você compreender de uma vez por todas os mitos e verdades sobre o vinho, a Evino selecionou, com dicas especiais da sommelière Natália Cacioli, as dez maiores mentiras feitas pelas pessoas. Confira:

1. Quanto mais velho o vinho, melhor.

Provavelmente você já ouviu aquela frase “assim como o vinho, fico melhor com o passar dos anos”. A maior parte da produção de vinho é pensada para atender à demanda de consumo imediato. São vinhos de safras mais recentes (de até cinco anos), frutados, macios, fáceis de beber. Uma parcela bem pequena de vinhos é feita para envelhecer, como os famosos Barolo, Brunello de Montalcino ou um Pinot Noir de um grande produtor da Borgonha. São vinhos bem caros e que precisam de um longo tempo de amadurecimento para atingir seu ápice. Esses vinhos encarecem com o passar dos anos e tem quem ganhe dinheiro com isso. Portanto, se você está interessado em beber e não em investir, pode ficar com os vinhos mais jovens sem medo de ser feliz.

2. Se a garrafa é pesada, o vinho é bom

Se a garrafa é pesada é porque o vidro é mais espesso, ou seja, foi gasto mais material e a garrafa é, consequentemente, mais cara. Vinhos de guarda usam garrafas espessas para reduzir a incidência de luz (sim isso influencia o processo de envelhecimento) e para ter uma garrafa mais resistente, já que o vinho ficará guardado por muito tempo. Para vinhos de consumo imediato, a espessura da garrafa faz alguma diferença? Não. O produtor pode escolher uma garrafa mais simples para reduzir o custo final do produto. E se gostamos de vinho mais barato? Ah sim, gostamos muito.

3. O fundo da garrafa côncavo indica qualidade. Esse furo deve ser usado para colocar o dedo na hora de servir

Mesma história da garrafa pesada. Sinceramente? Não sei de onde saiu o mito do fundo côncavo – mas ele existe. Já perguntei para diversos produtores de Itália, Chile e Argentina o que isso significa e todos eles me disseram: Nada. É apenas uma característica da linha de produção, mas seguramente não é para colocar o dedo. Ao segurar a garrafa por ali, ela pode escapar da mão e fazer um estrago. Segure com firmeza, pelo corpo da garrafa, mesmo. Isso não é suficiente para fazer o vinho esquentar, como algumas pessoas justificam.

4. Se o vinho é fechado com rosca ou rolha sintética ele não presta

Dá para escrever uma tese de mestrado sobre esse assunto. Cortiça é um material natural, retirado de uma árvore chamada Sobreiro, presente principalmente em Portugal e que precisa de 25 anos para estar pronta para a primeira extração da cortiça. Ou seja, é um recurso caro e finito. Mas e o que isso tem a ver com o vinho? A cortiça é um tipo de material que permite uma pequena troca de oxigênio entre o líquido na garrafa e o ambiente externo, processo importante para vinhos de guarda. Se você comprou o vinho e vai tomá-lo hoje ou semana que vem, a cortiça não faz diferença. Rolhas sintéticas e tampas de rosca são mais sustentáveis e baratas. E já falamos que gostamos de vinho barato?

5. Vinho meio-seco é doce e não é bom

Vinho meio-seco não é doce ou mais-ou-menos-doce. A nomenclatura não ajuda – mas a verdade é que os vinhos etiquetados como meio-seco têm, na maioria dos casos, a mesma percepção em boca de um vinho seco. Mas por que isso acontece? Por uma questão de legislação. Quem define se o vinho será etiquetado como “seco” ou “meio-seco” no Brasil é o Ministério da Agricultura. Aqui, a legislação leva em conta apenas a quantidade de açúcar residual, enquanto que, na Europa, é feita uma relação entre açúcar e acidez. Isso faz com que muitos vinhos considerados “secos” na Europa sejam classificados como “meio-secos” no Brasil.

6. Vinho tinto é mais complexo que vinho branco

São estilos diferentes mas cada um com suas maravilhas e momentos. A principal diferença do vinho tinto para o vinho branco é que o primeiro tem propriedades que vêm da casca da uva: cor e tanino – aquela sensação de adstringência que “seca” a boca. Tanino é um conservante natural e, por isso, é um fator importante para a longevidade do vinho. Os brancos se destacam pela refrescância (tecnicamente chamada de acidez) e, apesar de serem vinhos majoritariamente feitos para consumo rápido, alguns têm grande potencial de guarda. E mais: a vida é mais feliz acompanhada dos deliciosos aromas de um vinho branco.

7. Vinhos com mais de 13% (ou coloque o número de sua preferência aqui) de álcool são superiores

Tem muita gente que usa o teor alcoólico como indicativo de qualidade, mas sem entender de onde vem esse número. O álcool é resultado da fermentação, que tem origem na transformação do açúcar das uvas pelas leveduras. Ou seja, quanto mais açúcar tem o fruto, maior o potencial alcoólico daquele vinho. Lembrando que o açúcar é da uva – não há adição. Regiões quentes produzem frutos com maior concentração de açúcar e, portanto, seus vinhos têm mais álcool. Vinho tintos variam, normalmente, entre 12% e 15%, enquanto os brancos ficam, na maior parte dos casos, entre 10% e 13%. Mas o fato é que a percepção do álcool na boca depende de muitos outros fatores, que vão além do número estampado no rótulo.

8. Vinho tinto é com carne vermelha e vinho branco é com peixe

Harmonização é muito pessoal. Existem orientações básicas, mas não regras. Vinhos tintos têm taninos (aquela sensação de adstringência) e a gordura ajuda a disfarçar essa sensação, daí a harmonização com carnes vermelhas. Já vinhos brancos e rosés costumam ser mais leves, por isso normalmente são indicados para carnes brancas e outros pratos igualmente leves. Agora imagine um frango à parmegiana: fritura, queijo, molho vermelho – um tinto vai cair muito bem. Outra situação: pleno verão brasileiro, churrasco à beira da piscina e, em vez de um Malbec encorpadão, que tal um espumante geladinho? Resumindo: harmonização não é ciência exata e você pode comer/beber o que tiver vontade.

9. No restaurante o garçom coloca um pouco de vinho na taça para você analisá-lo e decidir se gostou

Na verdade, a proposta desse ritual em restaurantes é verificar se o vinho tem algum defeito. A degustação é feita rapidamente e não há necessidade (na verdade pega mal) de ficar cinco minutos analisando o vinho e dissertando sobre aromas e sabores. Se você não se sente confortável para fazer essa avaliação, peça ao sommelier do restaurante – faz parte da função dele. E mais: a etiqueta não manda servir o vinho para degustação ao homem da mesa e sim para quem pediu fez o pedido.

10. Vinho rosé é feito da mistura de branco com tinto

Mito. Rosé, na verdade, é um vinho produzido com uvas tintas. Durante a vinificação, o mosto das uvas (ou seja, o suco antes de ser fermentado) fica em contato com as cascas por um breve período para extrair apenas um pouco de cor e aromas.

Fonte: https://www.folhape.com.br/