História da Empada

Conta-se que um talentoso e criativo padeiro de uma pequena cidade ao sul da França resolveu experimentar uma combinação de farinha de trigo e manteiga, sem fermento.

O resultado da mistura foi um tipo de “farofa”, ou seja, uma massa que não tinha “liga”. Como ele não conseguia dar um formato à massa, uma vez que se desmanchava ao ser manuseada, resolveu utilizar uma pequena forma de bolo que havia em sua padaria. Com as pontas dos dedos modelou uma fina camada daquela farofa no fundo e nas laterais da forma e colocou um recheio de frango, cuja receita aprendera com sua avó. Será que foi Vó Nir (rs)

Quando a primeira fornada ficou pronta ele percebeu que a massa ficou ótima, mas o recheio estava muito ressecado. Resolveu então colocar uma tampa feita com a mesma massa. O resultado foi surpreendente, pois o quitute ficou delicioso e todos que experimentaram ficaram maravilhados com a maciez e o sabor da massa, levemente amanteigada e que se desmanchava na boca. Isso sem falar na gostosura que era o recheio de frango da vovó, é claro.

A notícia se espalhou pela cidade e todos queriam saborear a tal “tortinha” de massa quebradiça e recheio de frango. O sucesso era tanto que ele não dava conta de atender aos pedidos, uma vez que era muito trabalhoso e demorado produzi-las, pois eram moldadas à mão, uma-a-uma, em um processo artesanal. (a nossa também é assim)

Um padeiro de uma cidade vizinha vendo o potencial do novo produto resolveu entrar no mercado, mas ao se dar conta do trabalho e tempo de preparo que a tal massa quebradiça exigia, teve a ideia de usar uma adaptação da tradicional receita de massa de pão, pois devido a sua elasticidade podia-se abri-la com um rolo e coloca-la sobre várias forminhas ao mesmo tempo. Dessa forma, a produtividade aumentava significativamente e o produto ficava com o mesmo formato das tortinhas do seu concorrente, dando a impressão que se tratava do mesmo produto. Mas por conta desse ganho de produtividade se perderam as características da receita original: massa sequinha, fininha, macia, com leve sabor amanteigado e que desmanchava na boca.

A massa original recebeu o nome de Paté Brisée (pronuncia-se patê brizê), que em francês significa massa quebradiça (aqui no Brasil, os mais antigos chamam de “massa podre” – na verdade de podre não tem nada…) e só delicia e a “tortinha” foi chamada de empada, que é uma redução da palavra empanada, do latim Panis, que significa pão. No Brasil, a Paté Brisée recebeu o estranho e inadequado apelido de “massa podre”, ficando conhecida e popularizada como empada de massa podre.

Os recheios mais tradicionais são os de frango, palmito e camarão, mas já se pode encontrar empadas de queijo, carne, calabresa e tantos outros. As mais recentes novidades são as empadas com massa brisée integral e as empadas com recheios doces. As receitas originais são guardadas como segredos de família, e transmitidas de geração em geração.

 

Fonte: empadacaseira.blogspot.com.br