É preciso se desligar; entenda por que é importante tempo para lazer e descanso

Mesmo quem ama trabalhar e sente dificuldade de se afastar do escritório, precisa de tempo para si. Excesso de compromissos pode causar danos à saúde e, em alguns casos, levar à depressão

Mente sã

Quem se dedica muito ao trabalho precisa tomar cuidado. Para esses, é útil avaliar o que leva a tanta dedicação. Se o motivo for uma cobrança excessiva de si mesmo, o sinal de alerta está aceso. Algumas pessoas impõem-se metas tão altas que acabam exagerando na dose. E, aí, o risco de a saúde mental ser afetada aumenta. O risco é acabar sendo forçado a parar por esgotamento. “Os prejuízos podem ser esgotamento, desânimo, descomprometimento e falta de entusiasmo com o trabalho e com a vida em geral. Algumas pessoas acabam tendo depressão”, alerta Azevedo.

O psicólogo do trabalho observa que a sobrecarga de trabalho pode ter origem na maneira como as empresas estabelecem metas, exigindo demais de seus funcionários. “Eu acho que está na hora de repensarmos as formas de gestão e ouvirmos mais os empregados para tornarmos o trabalho mais prazeroso. Está na hora de as empresas adotarem um estilo de gestão que considere mais a opinião dos funcionários”, defende.

Lauro Jurgeatis, 49 anos, também não consegue se desligar do trabalho com facilidade. Empresário da área de tecnologia há 19 anos, ele acredita que esquecer as obrigações é uma tarefa mais complicada para os donos do próprio negócio. “O empresário fica ligado quase 24 horas por dia.” Atento a essa tendência, o empreendedor busca no ciclismo um refúgio que o ajuda a tirar os assuntos do escritório da cabeça. “Eu acho que a gente só consegue relaxar um pouco quando se ocupa com outras atividades, como praticando exercícios físicos.”

Além de pedalar, Lauro se dedica a uma fazenda da qual é proprietário. “É uma válvula de escape. Uma atividade muito mais prazerosa porque eu gosto da natureza”, diz. A atividade acabou se tornando outra fonte de renda, mas não deixou de ser uma maneira de esquecer os assuntos da empresa. “É interessante se o profissional tiver a oportunidade de dedicar tempo a uma prática prazerosa, mesmo que seja um outro trabalho. Eu acredito que há um impacto se você trabalha excessivamente. Pode atrapalhar o sono, alimentação, por exemplo; e futuramente, a saúde também”, acrescenta.

Aprendizado
Psiquiatra do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Raphael Boechat lembra a importância de um tempo livre para qualquer profissional. “É necessário se distanciar. Em países como a Alemanha, é obrigatório tirar férias porque os chefes sabem que não adianta ter um funcionário estressado, que não vai produzir.” E há vários prejuízos à saúde ligados à sobrecarga no serviço: imunidade baixa, males cardíacos e problemas relacionados à ansiedade são alguns deles.

Os casos de pacientes que chegam ao consultório do psiquiatra esgotados por causa do trabalho são muitos, mas, geralmente, as pessoas só procuram ajuda depois de algo grave acontecer, como um enfarte ou uma batida de carro após dormir ao volante. Boechat ressalta que o excesso de trabalho pode resultar em um nível de estresse elevado, levando ao desenvolvimento da síndrome de burnout. “A síndrome é mais comum em pessoas que trabalham muito com o público. Profissões como professores, médicos são algumas delas”, afirma o médico.

Para alguns profissionais, a capacidade de parar de pensar no trabalho durante as horas de folga é adquirida em um processo gradual, até que passa a fazer parte da rotina. O professor de educação física Elvis Lara, 24 anos, começou a buscar formas de equilibrar trabalho e vida pessoal quando ainda era estudante. “Eu fui ganhando experiência com o tempo. Desde que fazia estágio, fui observando e aprendendo com outros professores”, lembra.

A dica dele é fazer uma lista das tarefas do dia. “Antes de ir para a aula, faço um planejamento do que preciso fazer. Sempre tento resolver tudo no trabalho. No fim do dia, vejo se consegui produzir tudo.” A estratégia faz com que pouco trabalho seja levado para casa. Algumas vezes, porém, isso acaba sendo inevitável. “Às vezes, por exemplo, precisamos planejar um aulão na academia, mas não dá para fazer no trabalho, onde é muito movimentado. Aí, fazemos em casa mesmo.”

Elvis está convencido de que separar a vida profissional da pessoal é fundamental para o bem-estar. “Eu acho que só traz benefícios. Seu dia a dia melhora muito, o estresse em casa diminui. Se você acumula muitas coisas do trabalho, acaba ficando com aquela pilha de problemas.”

O professor conta que muitos de seus clientes chegam à academia e mesmo assim não tiram a cabeça do escritório. “Sempre pergunto para os alunos como foi o dia deles, se eles trabalharam muito. Alguns falam que foi um dia cheio e que estão na academia para diminuir o estresse”, conta. Para ajudar essas pessoas, ele estimula a prática da atividade física. “Manter a atividade física após o trabalho é um ótimo elemento para ter uma qualidade de vida melhor. Em alguns alunos, a melhora (do rendimento no trabalho) com a atividade física é 100%”, garante.

 

 

Fonte: www.uai.com.br