Decantar ou não?

Decantar ou não? Descobriram que você gosta de vinhos e logo acabou sendo presenteada com um decantador. É uma peça linda, decorativa, na qual qualquer vinho fica mais vistoso. Mas a pergunta é: você alguma vez já usou o decantador?

Usar ou não usar, quando usar, para vinhos jovens, maduros, só para tintos, para tintos e brancos? Para espumantes? A controvérsia é grande.

Um dos mais reverenciados enólogos do planeta, o Professor Émile Peynaud, francês responsável por muitas das mais modernas ideias sobre vinificação, não achava necessário decantar – a não ser para eliminar sedimentos: cristais de tártaros nos brancos e partículas de componentes de cor e fenóis polimerizados (taninos, em sua maioria), nos tintos maduros. Jancis Robinson, no seu “The Oxford Companion to Wine” a define como “uma opção controversa para servir vinho”.

A maioria dos decantadores é feita de vidro transparente, incolor, com volume entre 30 a 50% maior do que o da garrafa padrão (750 ml), com bastante espaço para deixar o vinho “respirar”, esticar as pernas, liberar seus aromas.

Começa a história

A origem dos decantadores está na Roma clássica, onde a técnica de produzir objetos e utensílios de vidro soprado foi bastante desenvolvida.

O vinho era servido em jarras (ou decantadores) de prata ou de vidro, primeiro porque a bebida era armazenada em vasilhames enormes, em ânforas de argila ou em barris de madeira.

Desse modo, algum tipo de recipiente era necessário para trazer o vinho desses grandes vasilhames nas adegas para as taças na mesa. Surgem então jarras de vidro (ou de metal) para fazer esse serviço. Seriam os primeiros decantadores. Mas lá pelo século V, o império Romano entrou em colapso e a produção de vidro declinou.

No século XVI, os venezianos redescobriram a tecnologia do vidro de sopro e suas belas e rebuscadas taças, garrafas e outros vasilhames percorreram o mundo e foram largamente copiadas.

No início do século XVII, conseguiu-se produzir garrafas mais resistentes, além de muito escuras e pesadas, com um formato de cebola, com a base chata, e gargalo extremamente curto e corpo globular – um formato impossível de colocá-las na horizontal, mesmo que tivesse uma rolha tampando-as.

Eram utilizadas mais para servir vinhos e não para guardá-los. Ou seja: uma espécie de decantadores.

 

Assim, as pessoas podiam decantar seus vinhos bem antes de amigos ou visitas chegassem para um jantar. Os vinhos estariam dispostos em diferentes decantadores, cada um apropriado para os vários tipos de pratos, com etiqueta de identificação penduradas no gargalo.

 

Fonte: www.vix.com