O Decantador de hoje

O Decantador de hoje. Ele ganhou uma nova função: a de fazer com que os vinhos despertem para seus aromas e sabores.

A maioria dos decantadores é feita de vidro transparente, incolor, com volume entre 30 a 50% maior do que o da garrafa padrão (750 ml), com bastante espaço para deixar o vinho “respirar”, esticar as pernas, liberar seus aromas.

No caso dos sedimentos, a operação é mais delicada: você tem de despejar o conteúdo da garrafa no decantador e com uma lanterna ou vela sob o gargalo da garrafa, ficar atento para os sedimentos não passarem para o decantador.

Esse “respiro” não apenas levanta os aromas, como ajuda também a eliminar o que eventualmente restou de dióxido de carbono (CO2) na garrafa (deixando o vinho um tantinho frisante).

A bebida fica mais “macia”. Se ela apresenta uma apreciável quantidade de sulfitos, a decantação vai oxidá-los e eliminar esses aromas (de fósforo queimado).

Isso acontece muito nos vinhos com rosca metálica (é a tal da “redução”, uma condição que resulta da ausência total de ar). Os vinhos marcados fortemente com sabores e aromas de madeira (como muitos Chardonnay do Novo Mundo) vão perder um pouco essa característica e mostrar mais as frutas.

Aqueles muito tânicos ficarão menos adstringentes e mais amistosos, saborosos e aromáticos.

Decantar vinhos mais delicados, como um Pinot Noir, um Sauvignon Blanc, um Riesling ou um Beaujolais não vai melhorá-los.

Mas um Chardonnay com muito carvalho, um Cabernet Sauvignon encorpado ou um Amarone vão se beneficiar. Alguns livros, inclusive, recomendam que o caríssimo toscano Brunello di Montalcino, feito com a Sangiovese, deve ser decantado um dia antes de servi-lo.

Ah, não se esqueça: até mesmo os espumantes podem ser decantados. Isso é feito de modo a que esses vinhos liberem um pouco do gás carbônico e se tornem mais cremosos, frutados e menos ácidos.

O dono da Riedel, Maximiliam Riedel, criador das mais famosas taças de cristais para vinhos, homem refinadíssimo, diverte-se e espanta convidados quando decide decantar champagne. “Surpreendo meus amigos americanos quando decanto Champagne. Os americanos pensam que é necessários termos muitas bolhas, mas para mim uma Krug ou Dom Pérignon são até melhores sem elas, pois você então pode efetivamente provar o vinho”.

O caso é que se decantam espumantes desde o século XIX. O objetivo, claro, não é fazer com que eles percam suas bolhas, mas que seus aromas e sabores se apurem mais, não se deixem esconder pela efervescência, fiquem mais macios. É só um tempinho no decantador.

Fonte: www.vix.com