Conheça mais a história da Colônia Mergulhão

Conheça mais a história da Colônia Mergulhão!

Boa parte dos 560 imigrantes que se fixaram em 1878 nestas terras de São José dos Pinhais eram de origem italiana. Muitos deles chegaram a conviver junto com os poloneses na colônia Murici. Outros foram residir em outras colônias, como a Inspetor Carvalho (Gamelas) e Zacarias.

Mas com o passar das gerações, surge outra colônia próximo a de Murici, que ficaria conhecida como umas das mais italianas no Município, a Colônia Mergulhão. Principal trajeto do Caminho do Vinho, em São José dos Pinhais, com casas colônias, adegas, pesque-pagues e uma exuberante natureza. E é nesse clima de natureza e de amor à nossa história que falaremos mais desta colônia.

A origem da colônia e por que Mergulhão

A Colônia Mergulhão localiza-se a aproximadamente 10 km do centro de São José dos Pinhais. O nome mergulhão é uma referência à grande quantidade de pássaros aquáticos na região, o mergulhão caçador (Podilymbus Podiceps). Aliás, as colônias e a área rural de São José dos Pinhais como um todo possuem uma exuberante fauna e flora, com um território repleto de rios e nascentes.

As terras dessa colônia eram rodeadas por outras, como a Murici, Accioli, Gamelas e Costeira. Muitos dos moradores dessas colônias vizinhas espontaneamente resolveram se mudar para o Mergulhão, tornando-se assim uma colônia espontânea. Ou seja, o Mergulhão não surgiu de forma oficial como as outras colônias citadas, as quais o poder público, seja estadual ou municipal, determinou que assim o fosse. Muitos colonos resolveram comprar ali propriedades e terras, dessa forma desenvolvendo a região.

De acordo com o livro Imigrantes: 1870-1950: Os Europeus em São José dos Pinhais, de Maria Angélica Marochi (Travessa dos Editores, 2006), antes dos descendentes e imigrantes europeus italianos e eslavos, estas terras eram de propriedade de antigos colonizadores portugueses, ex-escravos africanos ou indígenas. Marochi ainda relata que a localidade não era conhecida unanimemente pelo nome Mergulhão, mas há vários relatos e documentos que a denominavam de Costeira, pela proximidade desta.

De acordo com um levantamento feito pelo Governo do Paraná, em 1893 cinco pessoas possuíam propriedade na localidade: Domingos Knope, João de Bastos Alves, José Hipólito de Souza Bastos, José Custódio de Lima e Paulo Zeglim. Outra personagem, de descendência polonesa, que veio a morar no Mergulhão foi André Przybycién. Também de origem eslava, podem-se denominar as famílias Gregoge e Kieuteka e de origem alemã, Beger. Contudo, a grande maioria dos moradores era de origem italiana. Destes, as principais famílias eram Daldim, Húngaro, Pissaia, Juliatto, Bortolan, Betto e Possebon.

A economia e o turismo rural

Assim como os poloneses, os imigrantes italianos também vieram para o Brasil expulsos pelo processo econômico que estava vivendo a Europa, onde a produção familiar não conseguia competir com a dos grandes proprietários de terra ou pela dificuldade de conseguir emprego no setor industrial.

Chegando em terras brasileiras, muitas das famílias continuaram a desenvolver o que faziam na Europa: dedicar-se à agricultura. Contudo, vários colonos trouxeram da Itália uma planta típica de sua cultura, a parreira. Muitos destes se dedicaram à produção de subsistência, mas não abriram mão de cultivarem uva e produzir vinho.

Com o passar do tempo, alguns agricultores passaram a produzir um bom vinho para comercialização. Aos poucos, outros aderiram ao comercio de vinhos e produtos colônias. A região começou a ser muito procurada.

O poder público, observando o potencial econômico de comércio e turismo rural na região, deu estímulo aos produtores locais. Surge assim o programa Caminho do Vinho, em 1999. Constituído por 30 casas típicas de descendentes de italianos e poloneses, muitas delas construídas no final do século XIX e início do XX, passou-se a oferecer aos turistas vários produtos coloniais como vinhos, sucos, graspa, licores, salames, queijos, compotas, bolachas e conservas, que são comercializados nos cafés coloniais, adegas, cantinas e restaurantes, além de chácaras de lazer, minhocário, pesque-pagues e pousadas.

 

Tradição e festas

Para preservar a cultura dos seus antepassados, os descendentes da localidade fundaram o coralCuori d’Itália. A tradição também é conservada com os eventos festivos promovidos todos os anos, como a Festa do Vinho. Mais recentemente, também a tradicional Festa do Pinhão vem acontecendo na região, fortalecendo-a como atrativo cultural.

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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.

Fonte: jornalespacopublico.blogspot.com.br